segunda-feira, maio 07, 2012

Helmut Newton

Um dos mais brilhantes captadores  de momentos que já habitou o mundo!




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sábado, setembro 20, 2008

Fevereiro, 2007.

Faltando dois minutos para pôr o telefone no gancho, a vontade de se abrir aparace, mas a voz não sai.

er...

Acho q às vezes fico meio assim, imaginando uma roda gigante de acontecimentos felizes.
Esqueço, apago as lembranças doidas desse fevereiro e engreno nas fantasias do atual, do novo.
Não quero voltar a discutir isso.

Mas você está certo mesmo. E, desde quarta-feira a noite, me mostra como estou sendo infantil em sonhar no meu mundo de polyana.
Tenho q me lembrar que a nossa história entrou pra outra direção, por escolha minha.

Não falo em arrependimento.
De liberdade, talvez, mas há um pouco de falta de força. (Medo?!)

Seu papel é esse mesmo, me manter atenta (pelo menos por enquanto).

Não posso mais somatizar nada.
(me)viverei e (me)fecharei um pouco mais em mim mesma.
Só assim perpetuo o meu dia de ontem:
ter cuidado e responsabilidade para mim e comigo mesma.

Não adianta acreditar no corpo fechdo.

É isso.

Final de telefonema

Photo: Donna Roberts

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terça-feira, dezembro 25, 2007

Blow Up


Londres vigia, massifica seus diferentes, seus cosmopolitas, sua vida humana e urbana. Londres é cultural, porém sua tradição espreita todo caminhar, ruas e cotidiano. Londres é Beatles, Led Zeppelin, Yard Birds, Pink Floyd. Londres é cinzenta, incomunicável. Londres é fashion, diversidade, é sonho. Londres oprime e liberta. Todas essas contradições e idiossincrasias são retratadas por um italiano vivido na Itália pós-guerra calorosamente barulhenta, familiar, amigável, tradicional: um dos berços da civilização ocidental. Preocupado com a superficialidade das relações humanas do mundo moderno, Michelangelo Antonioni dirige seus filmes sob ótica e percepção inovadoras para retratar a incomunicabilidade a qual todos os cidadão capitalistas e capitalizados estão submetidos. Em seu primeiro filme de língua inglesa, Antonioni escolheu Londres como plano de fundo perpetuador da sua temática. Pelos motivos citados acima, dentre muitos outros, a capital inglesa é extremamente qualificada para tal abordagem, uma vez que ela inspira, ao mesmo tempo, a vigilância constante do Big Brother cotidiano e a efervescência em todos os aspectos da tentacular cultura: seja ela sociológica ou antropológica.
Sabendo disso, o diretor foi explorar as diretrizes do orbe burguesa contida em Londres na década de 60: sexo, drogas e rock n’roll não podem fugir desta análise. E, mesmo que a cidade possuísse milhares de motivos e temas para serem abordados num longa-metragem como: a Swing London, o mundo fashion, as beldades, a música a contracultura... Antonioni optou pelo silêncio, tendo o barulho e a revolução cultural como background.
As vivas cores, geridas miraculosamente do “acontrastante” tempo nublado, parecem ser o dialogador ou interlocutor do filme. Junto a David Hemmings, a policromia protagoniza o filme e ressalta o enfadonho dia de um alguém com muito poder, prestígio, dinheiro e, principalmente, tudo o que deseja. Nada mais é novidade: mulheres, beleza, profissão...
Como a história do longa-metragem é sobre um famoso fotógrafo, o seu nome não poderia ser mais conveniente. Blow up significa a ampliação da foto até seu nível máximo, ocasionando no estouro dos pontos que compõe a imagem. A fotografia do filme, como não poderia deixar de ser, é fantástica. O cinza londrino é estrategicamente usado para ressaltar o tédio do mimado Thomas.
Fugindo das skinny models que vão lhe implorar ‘a couple of minutes’, o fotógrafo passa, em seu charmoso Rolls-Royce, por uma rua totalmente vermelha, para, depois, chegar a um quarteirão acinzentado, maltratado e sem vida. Esta hora parece ser o ápice do tédio do personagem o qual, depois de uma visita frustrada ao antiquário, decide “passar o tempo fotografando no parque”. Eis, então, o início do conflito que vai gerar uma das cenas mais marcantes do filme: as ampliações infindas e contínuas do possível e passional assassinato. Durante esta antológica seqüência, uma análise sobre a evolução comportamental do personagem pode ser feita. Todo o filme é um fechar e abrir portas persistente, fato que demonstra o descaso e desleixo de Thomas em relação a todos os elementos e personagens da película (os quais, como eu pude notar, não são ‘nominados’ no filme. São como meros complementos para os altos e baixos no humor de Hemmings: a maioria das outras figura dramática são denominados de: birds. love, girls, entre outros adjetivos, mas nunca ganham uma subjetivação como referencial). Porém, no instante em que o fotógrafo entra na sala de revelação, sua atitude é diferenciada: a luz vermelha se acende e o silêncio toma conta do filme. Pela primeira vez, em 58 minutos rodados, o homem demonstra interesse em uma outra coisa que não seja o seu próprio eu e vaidades. Ele amplia algumas dúzias de fotos e analisa-as. Escolhendo duas delas, ele as alarga vertiginosamente, até alcançar o ‘blow up’, seu cadáver e seu crime.
Dando continuidade a este conjunto de seqüências tensas e silenciosas, de 1h30minutos – interrompidos apenas pelo antológico ménage a trois – Antonioni arquiteta uma das mais brilhantes e subliminares relações, que dão encadeamento e sentido ao filme. O diretor faz a comparação do blow up (estouro da imagem ressaltando seus pontos constituintes) à pintura abstrata do amigo do fotógrafo, Bill. O pintor faz a sua obra a partir da utilização de vários pingos de tintas. Chegando a uma finalização, ele começa a “interpretar” e ver objetos na sua salada de pontos, assim como Thomas enxerga, na confusão pontual e bicromática da sua fotografia, o seu cadáver. O mais magnífico dessa comparação é constatar que os dois artistas vêem na sua arte abstrata e desconexa o seu elemento (desejado), este que pode ser apenas visto pela cabeça daquele que inventa e cria.
Ao final do longa-metragem, portanto, Antonioni suscita a dúvida: houve mesmo o tal assassinato, ou tudo não passou de uma criação desesperada duma mente burguesa entediada?


Por Emilly Dias

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terça-feira, agosto 28, 2007

“O caráter do homem é o seu destino”. Heráclito.


Houve um tempo em que os homens acreditavam na palavra e prática do caráter. O destino de cada um poderia ser traçado pela força com a qual cada indivíduo a aplicava nos afazeres cotidianos, nas práticas rotineiras, na história de vida.
Os anos se passaram e este mesmo homem foi descobrindo (desvelando) o progresso, se enganando com ele e dele se envaidecendo, embevecendo e o possuindo.
Estes seres foram desaprendendo os gostos do belo, da virtude, da retórica e da própria educação. Eles conheceram o amargo doce estéril da mentira, da corrupção e do engano.

Sonho?
Talvez.

O homem sempre teve seu lado dual. Nunca foi ausente dos erros e muito menos sempre recheado com os acertos. Este humano sempre guerreou, matou, usurpou, mas nos planos ideal, artístico e poético, ele conseguiu, durante a Grécia Heróica, de Homero, no Século de Péricles, dentre outros tantos circundantes a Sócrates, Platão e Aristóteles, manterem-se fidedignos a uma utopia engrandecedora. E sempre procuravam as respostas. Acreditavam, questionavam. E fiavam a tapeçaria das Três Parcas com a veracidade da duvidosa cicuta, escrita na filosofia oral de Sócrates, no Mito das Cavernas e no platonismo duns dois mil anos antes de qualquer vestígio da imundice moderna. E da explosão de brilhantismo do século XX.

Nesse vai e vem passado-presente, fica a noção de que, em discordância despretensiosa em relação às palavras dum sábio, que não era chinês, Heráclito, quando afirma com veemência histórica acerca do caráter do homem e do seu destino.
Tanto na política, quanto numa conversa de bar é notável e corrente a des-virtude por segundo. Os homens não entendem mais a noção da retórica, mas a replicação da tela ao quadrado espetacular. O bem da arte não é o bem do povo. A minoria é escassa. E os governantes, as maiores caricaturas sem caráter, de quem já se teve notícias gregas, romanas ou brasileiras.

Heráclito, me desculpe, mas neste dia do presente agosto não consigo entender como um homem carrega no destino, o seu caráter. Os escrúpulos, se é que já existiram, foram perdidos a muito tempo, junto à grande maioria das peças de Sófocles ou das milhares de estatuetas do Partenon. Sem guia e sem crença este homem continua caminhando. E se agarra à primeira coisa que lhe pareça conforto (mediado) imediato. E, com certeza, caráter, virtude (Arete), beleza e destino não fazem parte do bolão do dízimo ou da velha e inalcançável salvação.



Por Emilly Dias
Foto 1: Copyleft?
Foto 2: Emilly Dias

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terça-feira, maio 15, 2007

Suspenso no Rio Branco